O HOMEM MAÇOM

07-10-2013 09:10

Quando iniciado na Maçonaria, muitos são os sonhos de realização que o neófito espera obter, tais como: educação e cultura. Imagina-se que terá mestres que lhes ensinarão todos os meandros da Arte Real. No entanto, após algum tempo, ele percebe que a ordem maçônica apenas fornece local físico, ferramentas e irmãos para uma caminhada que fará a sua maneira e por seus próprios meios.

Assim, partir do momento em que somos iniciados, não nos basta, apenas, "saber" sinais, toques e palavras; ou "conhecer" algumas instruções e princípios. Os sinais, toques e palavras servirão para reconhecermos pessoas (maçons) com as quais teremos uma identidade de interesses, de convicções, de posturas sociais e espirituais; viveremos nossos princípios, pois eles serão conscientemente compreendidos e livremente aceitos.

A transformação de atitudes e hábitos, perante nós mesmos e perante o mundo, é tarefa exclusivamente nossa. Com isso estaremos respondendo, solitariamente, às nossas consciências, por nossas decisões.

O estudante maçom anda só na estrada do desenvolvimento, porque lhe cabe descobrir, decorrente da própria vivência, por si e em si próprio, na devida oportunidade, as verdades tão sonhadas. As descobertas intuídas pelo método maçônico de aprendizagem são diferentes para cada pessoa, dependendo de sua herança cultural, porque o método objetiva que cada um desenvolva suas próprias verdades, sem submetê-las a um determinado molde.

Esta liberdade de autodesenvolvimento tem conexão com a teoria do conhecimento da antiguidade, na qual Heráclito afirmou que tudo no universo muda constantemente, tudo é dinâmico. O método de ensino maçônico transporta esta ideia para as verdades de cada um ao longo do tempo. Cada pessoa tem verdades próprias, que mudam constantemente, dependendo apenas do dinamismo de seu alicerce cultural.

Inicialmente, é bem estranha a forma como cada ferramenta de pedreiro é apresentada, pois sua utilização é universalmente conhecida na arte da construção civil. O processo de conhecimento maçônico processa informações, manipulando símbolos, baseado em regras ritualísticas. O que o neófito não dispõe, são as regras que lhes permitam utilizar estes mesmos utensílios do pedreiro, de forma simbólica, na construção do próprio homem.

Dentro da teoria do conhecimento maçônico estes símbolos são aplicáveis aos aspectos: moral, ético, social, às saúdes física, mental, espiritual e no conjunto de cada um. Platão afirmou que os homens comuns se detêm simplesmente aos primeiros degraus do conhecimento e não ultrapassam ao nível da opinião; matemáticos ascendem a um nível intermediário e só o filósofo tem acesso à ciência suprema.

Na verdade, quando nos referimos à Maçonaria, independentemente dos graus dos quais estejamos falando, invariavelmente nos vem à mente a ideia de uma "filosofia". Não há como ser diferente, pois uma instituição que pretende a construção de um determinado modelo de homem, almejando com isso uma profunda transformação social, terá, obrigatoriamente, uma "filosofia", que deva ser permanentemente atualizada em suas lendas, ritos, mitos, símbolos e doutrinas. Trata-se de defender a tese de que, ao falarmos de Maçonaria, pensemos na existência de várias "filosofias". A filosofia com “f” minúsculo, vinculada à gnosiologia, ao conhecimento em geral; e, a Filosofia com “F” maiúsculo, sistematizada e vinculada a um conhecimento superior (epistemológico). Ambas são fundamentais para a evolução do conhecimento humano.

Ora, meus Irmãos, conceber a evolução de graus filosóficos e não filosóficos, na Maçonaria, significa em defender uma posição maçonicamente contraditória, pois não pode haver Maçonaria que não seja essencialmente e filosoficamente evolutiva. Consequentemente, não pode haver maçom que não seja filósofo, independente do seu nível de conhecimento. Logo, tanto no grau simbólico, quanto no grau filosófico, a Maçonaria tem sido uma grande escola do filosofar, muito dependente de aspectos subjetivos e interesses de cada um. Ou seja, de cada maçom, se esse quer, ou não, evoluir em seu conhecimento maçônico.

Nos graus simbólicos ficamos muito presos a buscas de conhecimentos simbólicos e alegóricos, ou seja, presos aos rituais. Enquanto nos grau filosóficos, deveremos buscar conhecimentos mais aprofundados sobre tudo que gira em torno da filosofia maçônica. Na verdade, no grau filosófico, o Maçom deve objetivar ser autônomo em termos de conhecimentos. Deve sair do simples conhecimento aparente, vinculado ao senso comum, para um conhecimento radical, em busca de entender as raízes dos problemas que a ele se apresentam.

Como foi mencionado anteriormente, a partir do momento em que somos iniciados, não nos basta, apenas, "saber" sinais, toques e palavras; ou "conhecer" algumas instruções e princípios. Os sinais, toques e palavras só servirão para nos reconhecermos como maçons.

O homem maçom torna-se mestre de si próprio ao longo do seu autodesenvolvimento, procurando alcançar o ápice da perfeição com a tomada de atitudes. Sem discutir, o maçom deve agir baseado na moral que desenvolveu ao longo de sua jornada maçônica, sendo esta ação pautada no desejo de acertar e promover o bem para si e para a coletividade.

Dessa forma, podemos afirmar que a máxima da teoria do conhecimento maçônico está fundamentada no autoconhecimento, no “conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates, e esta noção, como resultado de um trabalho solitário e autodidata deverá ser decorrente de profunda introspecção e de longa meditação.

Tudo o que se aprende nos templos maçônicos está baseada em lendas fictícias, porém alicerçadas em fatos históricos registrados. Assim como as ferramentas, as lendas são materializações de conceitos abstratos, dentro de uma determinada linha e em direção a estados de complexidade cada vez maiores. Estas histórias sempre têm mensagens que impulsionam ao desenvolvimento Moral. E como não se usam computadores para educar o homem maçom, isso se dá pelo enriquecimento espiritual e o aporte de sua diversidade cultural.

Já que nada pode ser feito para melhorar a sociedade e se no âmago do cidadão não existir um cunho de homem espiritualmente desenvolvido e em harmonia com o princípio criador do universo, o homem maçom, como parte de sua criação, considera-se a si mesmo um templo complexo. Templo esse, criado por ele mesmo e, pelo qual, tudo fará para não profanar aquele lugar sagrado. É templo cujo limite é a sua própria pele, cujos portões são a sua boca, ouvidos e visão, tudo regido por sua capacidade cognitiva e emocional, equilibrados por sua espiritualidade.

Portanto, sem uma elevada Fé, o homem maçom poderia perder-se nas sendas do mal, à semelhança do que acontece na sociedade humana, na qual o homem fera prevalece sobre o homem evoluído. Tudo proporcionado por seu próprio esforço e por princípios adquiridos com técnicas de aprendizado maçônicas. Assim, o homem maçom, ao longo de sua vida, estaria buscando desenvolver–se de forma equilibrada em todas as suas dimensões, cujo processo de desenvolvimento ficaria na dependência da potencialidade latente de cada um, para que a sua capacidade de crescimento espiritual estivesse sempre em proporcionalidade ao desenvolvimento da capacidade intelectiva de cada um, dentro do seu próprio templo.

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Texto produzido pelo M.·.M.·. I.·.Ir.·.Edison Francisco Valente (13º)

REFERÊNCIAS:

 

CONTE, Carlos Basílio.  Pitágoras: ciência e magia na antiga Grécia. 3ed., São Paulo-SP: MADRAS, 2008.

De Souza, Geraldo (gcvsouza@uol.com.br). Hermes Trimegisto. Extraído do Google, em 06/09/2012.

Revista Filosofia e Ciência. www.revistafilosofia.com.br/ESFI/Edicoes/23/imprime89335.asp . Extraído em 17/08/2012.

(S.A.) Teoria do Conhecimento Maçônico.  Texto extraído do Google, in Revista Palavra Maçônica http://www.palavramaconica.com.br/palavra_maconica/noticias, em 10 de agosto de 2013, com adaptação do Ir.’.Edison Francisco Valente (13º), em 12/08/2013.